22 de junho de 2008

Acesso a boas escolas públicas de BH é restrito

A reportagem abaixo é fala sobre algumas escolas públicas de BH, mas gostaria de chamar atenção do leitor para o Centro Pedagógico da UFMG que tem feito um excelente trabalho e onde eu pude lecionar por 1 ano e sinto bastante orgulho de ter feito parte de uma escola tão querida!

Fonte: Jornal Estado de Minas - Minas Gerais, Brasil

Metade das escolas públicas com melhor colocação no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica do MEC tem acesso restrito esubmete alunos sem preferência a sorteios ou a provas

Escola estadual Ordem e Progresso, no Nova Gameleira, ficou emprimeiro lugar em Minas: 60% das vagas são reservadas a filhos depoliciais civis, categoria que, em alguns casos, também indica alunos.Os demais têm que enfrentar teste.Pesquisa divulgada ontem pelo Ministério da Educação (MEC) aponta queo acesso às melhores escolas públicas de Belo Horizonte é restrito.Entre as seis instituições de 5ª a 8ª séries do ensino fundamentalmais bem colocadas no ranking do Índice de Desenvolvimento da EducaçãoBásica (Ideb) (veja lista), metade tem processos seletivosdiferenciados para o ingresso dos alunos. A Escola Estadual Ordem eProgresso (1º lugar) e o Colégio Tiradentes da Polícia Militar (6ºlugar) têm em comum a reserva de uma parcela de vagas para parentes depoliciais civis e militares, respectivamente. Já o Centro Pedagógicoda UFMG (2º lugar) adota o método do sorteio, também usado em outrasunidades de ensino muito concorridas.O Ideb, criado pelo MEC no ano passado, faz uma radiografia daqualidade da educação nas séries iniciais (do 1º ao 4º ano) e na etapafinal (do 5º ao 8º) do ensino fundamental em todas as cidades do país.O índice é calculado com base em taxas de aprovação das escolasmunicipais, estaduais e federais que integram a rede pública e tambémna nota dos alunos em provas de português e matemática aplicadas peloministério, como a Prova Brasil. No início do mês, foram divulgados os dados por estados, e Minas obteve desempenho estável de 4,7 nocomparativo entre 2007 e 2005. As notas do Ideb vão de zero a 10 e ameta estipulada pelo MEC é de 6.Na primeira colocada geral na lista de 5ª a 8ª séries do Ideb, aEscola Estadual Ordem e Progresso, no Bairro Nova Gameleira, na RegiãoOeste da capital, a fila de espera entre aqueles sem parentesco compoliciais civis chega a 300 alunos para cada série. Em 2002, adona-de-casa Maria Margareth Mime aguardou, durante um ano, o filhoElvis ser chamado para entrar na unidade. "Eles dão preferência afilhos de policiais. Quem não tem parentesco entra na fila. Se não fossem as desistências, meu filho não conseguiria", enfatiza.Segundo o vice-diretor da escola, José Roberto dos Santos, 60% dasvagas são reservadas e o restante é destinado à comunidade, que seriaobrigada a passar por uma prova de seleção. "O concorrente éclassificado de acordo com a avaliação. No caso do parentesco compoliciais, o estudante que não foi bem avaliado tem aulas de reforçoao entrar na escola", diz. O preocupante é que essa regra admiteexceções, como afirmam alguns alunos, que garantem ter conseguido avaga com base na indicação de delegados, sem fazer nenhum tipo deprova. "Há uma minoria rara que ingressa por essa forma", reconhece ovice-diretor.Beto Magalhães/EM/D.A PressMaria Mime com o filho Elvis, que conseguiu se matricular graças adesistências: 'Quem não tem parentesco fica na fila'
INDICADORES
Apesar das distorções, resultados como a colocação no ranking do Ideb justificam a procura. E não são indicadores isolados. Este ano, porexemplo, a aluna Ana Luíza Bueno de Araújo, de 11 anos, do Ordem eProgresso, ficou em terceiro lugar do Brasil nas Olimpíadas deMatemática. Segundo ela, o resultado é fruto da pedagogia que a escolaassume. "Temos que estudar muito. Eles incentivam a leitura e o raciocínio", afirma. Para o vice-diretor, a disciplina é a principaljustificativa para o bom resultado no Ideb. "Muitos estudantes filhosde policiais civis, como sabem que a vaga é garantida a eles, às vezesnão têm muito empenho. Já quem se esforçou para entrar, na maioria doscasos, tem mais disposição e responsabilidade. A disciplina queexigimos é a mesma, indiferentemente da forma que o aluno ingressou. Éo nosso diferencial", afirma. Ensino de apenas 64 cidades tem nota de país desenvolvido, aponta Ideb.
Busca por ensino de qualidade faz alunos optarem por escolas mais distantes de casa Fernanda Vasconcelos Pacheco, de 14, aluna do ensino médio, entrou na escola em 2005, por meio das vagas preferenciais. A estudante é filha, neta, bisneta e sobrinha de policiais civis. "Cerca de 80% da minha classe também foram contemplados com as vagas, devido aos parentescos. Com essa vantagem, a nossa responsabilidade dobra. Temos que honrar essa preferência", avalia.

No Centro Pedagógico da UFMG, no campus Pampulha, não há reserva devagas, mas os interessados em estudar na unidade enfrentam sorteio. No Colégio Tiradentes da Polícia Militar, que funciona no Bairro SantaTereza, na Região Leste da capital, as 1.321 vagas de 5ª a 8ª sériesão ocupadas, prioritariamente, por dependentes legais e parentes depoliciais e bombeiros militares. Se sobrarem lugares, eles sãosorteados entre alunos que aguardam em fila de espera.A reserva de vagas é vista, pela especialista em educação SandraPereira Tosta, professora do mestrado da PUC Minas na área, como umaposição pouco democrática das instituições de ensino. "Ainda que asescolas defendam o argumento de que a medida é necessária paraassegurar qualidade de ensino, isso é complicado, porque osprofessores são pagos pelo estado e não se pode beneficiar uma únicacategoria. Como algumas são ligadas a uma corporação, é até admissível que um percentual de vagas seja restrito, mas, na prática, esse númeronão é muito bem definido e abre margens para outras interpretações,como a de defesa de interesses específicos", criticou Sandra. Escolas públicas são o destaqueCentro Pedagógico da UFMG é a escola número 1, de 1ª a 4ª série de BH. Depois dela, seis instituições estaduais lideram ranking. Os alunos do Centro Pedagógico, como Laila Dias, são incentivados ausar raciocínio lógico, ler bastante e desenvolver criatividade.É na biblioteca do Centro Pedagógico da Universidade Federal de MinasGerais (UFMG), na Pampulha, que a aluna da 4ª série, Laila Pereira Dias, de 10 anos, se dedica aos estudos. Além de apreciar obrasliterárias, ela aproveita a quantidade de livros expostos para estudara matéria que mais gosta: matemática. Já Daniel Marchesotti, de 10, colega de Laila, prefere as aulas em que pratica esportes. Ambos estudam na melhor escola de 1ª a 4ª série de Belo Horizonte na classificação do Ideb e ingressaram por meio de sorteio. Para a diretora do centro, Dília Andrade Glória, o resultado eraesperado. Segundo ela, a qualidade do ensino se deve às reuniõessemanais dos educadores, integração da família, qualificação dosprofessores e aulas que conciliam teoria e prática. "Temos clube da ciência, aulas de esportes, grupos de teatro, além das disciplinas curriculares. Nas aulas de matemática, incentivamos o raciocínio lógico; nas de português, o hábito da leitura", diz. Outro fator apontado como decisivo para o bom resultado é o fato de a escola estar dentro da UFMG. "Assim, há parcerias com universitários, e as crianças têm contato com esse universo de responsabilidade e valorização dos estudos.""Estudar aqui é uma sorte grande", garante Daniel. E ele tem razão. A seleção do Centro Pedagógico, desde a década de 1990, é por meio desorteio. "Os pais inscrevem seus filhos e acompanham o processo.Assim, não há vaga restrita para ninguém e temos crianças de todasclasses sociais", garante Dília. Além da instituição federal, apenas escolas estaduais aparecem no topodas seis melhores de 1ª a 4ª série do Ideb. São elas: a Bueno Brandão,a Pandiá Calógeras, a Anita Brandão, a Duque de Caxias e a HelenaPena. Na lista das mais bem colocadas entre as de 5ª a 8ª séries, o ranking é formado pela Escola Estadual Ordem e Progresso, Centro Pedagógico da UFMG, escolas estaduais Afonso Pena, Professor Leopoldo de Miranda e Madre Carmelita e Colégio Tiradentes.

REDE MUNICIPAL

A rede municipal de Belo Horizonte, que não tem instituições entre asmelhores classificadas pelo Ideb, pode se preocupar ainda mais comoutro fato. Enquanto o índice do sistema estadual de BH cresceu de 4,6para 5,1 no comparativo entre 2005 e 2007, as notas das escolasmunicipais caíram de 4,6 para 4,4. "Em BH, a reprovação aumentou e odesempenho na Prova Brasil caiu na rede municipal. Acredito que jádeve estar sendo feita uma avaliação detalhada, escola por escola,para saber o que ocorreu. O Ideb é fundamental por apontar as boasexperiências e as fragilidades do ensino, o que ajuda a organizar agestão da educação no Brasil", diz a secretária de Educação Básica doMEC, Maria do Pilar Lacerda.As secretarias de Estado e Municipal de Educação de BH foramprocuradas pelo Estado de Minas e se recusaram a comentar os dados doIdeb. Ambas alegaram que ainda não foram comunicadas oficialmente peloMEC sobre os números, portanto, não seria possível emitir qualqueropinião.[Observação: Nas escolas municipais de Bhte há mais de três governos doPT se usa o sistema de "Escola Plural" o que é omitido pela secretária Pilar Lacerda, do partido dos trabalhadores.
Cidades melhor posicionadas têm até 20 mil habitantes

A Escola Estadual José Mendes Magalhães, em Matipó, ficou entre asmelhores de 1ª a 4ª séries de MinasA detalhada radiografia da educação brasileira revelou ainda um dadointrigante da realidade de Minas. As 12 cidades que figuram no topo doranking das melhores notas do Ideb de 1ª a 4ª séries e de 5ª a 8ª têmmenos de 20 mil habitantes. A pequena São João Batista do Glória, com6,8 mil moradores, no Sul do estado, atingiu a nota de 6,7 nas sériesiniciais do ensino fundamental – índice superior ao do estado e à metaestipulada pelo Ministério da Educação.Apesar de não estar no topo da lista das cidades mais bemclassificadas pelo Ideb, Matipó, de 16 mil habitantes, na Zona daMata, tem motivos de sobra para se orgulhar. A única escola domunicípio de 1ª a 4ª séries – a Estadual José Mendes Magalhães – foiapontada como a melhor entre as 4.299 avaliadas no estado. "Acredito que o bom resultado é fruto de uma reformulação feita há dois anos.Apostamos em atividades diferenciadas, com internet, jornais erevistas, para desenvolver ainda mais a capacidade dos alunos", diz asupervisora pedagógica, Mara Régia Dutra.Na categoria de 5ª a 8ª séries, o Ideb mostrou uma instituiçãolocalizada numa cidade de porte maior: Patos de Minas, na Região doAlto Paranaíba, de 133 mil habitantes. Quem se destacou entre as 3.501do estado foi o Colégio Tiradentes da Polícia Militar. Fundada há 31 anos, a unidade tem 514 alunos nas séries finais do ensino básico. "Nossa prioridade é atender os descendentes de militares e as vagasque sobram são destinadas aos aprovados em processos seletivos. Nosso ponto forte é a disciplina, mas atribuo o sucesso na avaliação aotrabalho conjunto feito por professores e alunos, sempre acompanhados pelas famílias e pela corporação", afirma a diretora Conceição Silva Marques. Segundo a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do PilarLacerda, são muitas as justificativas para as pequenas cidades estaremmelhor que as metrópoles. "A escola é um retrato da desigualdade social do país e os grandes municípios são mais problemáticos, tendo que lidar com uma realidade maior de violência, desemprego, pobreza edistância física entre os espaços. Por isso, é mais fácil encontrar bons resultados em lugares menores", afirma.

5 comentários:

Anônimo disse...

Ola Adriana me chamo Janne sou aluno do colegio Ordel e Progresso amei a reportagem um belo comentario e espero e torço para que continue assim obrigada beijos!

Anônimo disse...

Ola Adriana, tudo bem ?
Por acaso voce tem o telefone da Escola Ordem e Progresso ?
No aguardo e agradeço desde ja.
Rodrigo
malbecbh22@gmail.com

Anônimo disse...

o oedem e pogresso tem todo o direito de fazer isso e quem fala mal ta com inveja

Edna disse...

Por favor, preciso do telefone da Escola Ordem e Progreasso, alguem pode me passar.
obrigado

Edna
ednamjfrancisco@hotmail.com

Marcelo Rocha Brugger disse...

Gostaria de complementar a descrição da professora com relação à E.F. Centro Pedagógico da UFMG. Estudei lá durante todo o Ensino Fundamental, e posso garantir que é uma escola excelente, com professores excelentes e ótimas propostas pedagógicas. Infelizmente, só pude perceber isso após alguns anos longe da escola, em especial agora, cursando a graduação em Letras - Latim pela mesma universidade. A escola, como qualquer instituição em construção constante, tem vários problemas e muitas críticas podem se encaixar nos seus métodos, contudo não deixa de ser uma das melhores escolas públicas de BH, quiçá do país. Gostaria também de manifestar meu enorme carinho pela escola, pelo seu corpo docente e pelos afetuosos funcionários, em especial ao Roberto (da informárica) e à Marli (que saiu do CENEX).
Sinto muito orgulho por ter passado os melhores anos da minha vida por lá. E muito sofro com as eternas saudades que estes dias deixaram pra mim.